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Mostrando postagens com o rótulo teologia

Sabedoria e Temor ao Senhor no livro de Eclesiástico: breves considerações

  Sei que muitos de vocês, queridos e queridas, podem estranhar o que proponho nesta leitura bíblica. Irmãos e irmãs católicos leem os livros, conhecidos como deuterocanônicos – Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 Macabeus e 2 Macabeus . Particularmente, não vejo problemas de ler estes livros, especialmente para um conhecimento mais profundo da Bíblia. Até porque, as comunidades cristãs (protocristianismo) faziam uso da Septuaginta (LXX) e estes livros, retirados do cânon judaico por terem sido escritos em grego (a língua hebraica foi um sinal de autenticidade e inspiração divina para os judeus que se reuniram no Sínodo de Jâmnia, em torno do ano 110 d.C.), foram lidos pelos primeiros cristãos, à luz de Jesus Cristo – a chave interpretativa para compreender todo o Antigo testamento! Nas palavras de Martin N. Dreher, nos dias de Jesus, porém, esse cânon já estava pronto. Assim ele foi adotado pela comunidade cristã, mas havia grandes diferenças de interpretação. A

Cadê Jesus Cristo na manjedoura comunitária?

  Quero iniciar esta reflexão, pedindo a cada um de vocês, caro leitor e querida leitora, desculpas por algumas opiniões. Não é que eu esteja sendo atrasada, conservadora ou antiquada. Não é isto, queridos e queridas! Entendo perfeitamente que vivemos no mundo, mesmo sendo discípulos e discípulas de Jesus Cristo. Ele é o nosso caminho, a nossa verdade e a nossa vida, doada a preço de sangue e conquistada pelo sofrimento e fragilidade! E é nisto, que desejo chamar a atenção de vocês! Desejo começar com alguns apontamentos sobre o relacionamento da Igreja de Jesus Cristo com a sociedade (o mundo como sistema social, econômico e cultural): Nos anos de 1970-1975, temos uma visão teológica escatológica . O que isto quer dizer? Havia uma expectativa da Igreja de que a humanidade entraria nos “últimos dias”. Paralelo ao discurso eclesiástico, na sociedade temos o movimento “hippie” europeu e estadunidense, que ansiava por uma nova sociedade, um novo mundo, rompendo-se com

“A Volta do Todo Poderoso” é uma leitura bíblica e uma teologia política?

  Uns dias atrás, tive uma insônia. Parecia que o sono havia desaparecido e como eu não gosto de ficar parada, pois o tempo demora a passar, fui assistir algum filme pela madrugada. Cheguei a ler um livro de 60 páginas e para não cansar ainda mais as minhas vistas (sou míope… hehe!) , resolvi assistir “A Volta do Todo Poderoso” . Sabe, querido leitor e querida leitora, já o vi inúmeras vezes sem pretensões. Mas, naquele dia, observei algo muito interessante e desejo compartilhar com cada de vocês. O filme A Volta do Todo Poderoso (2007) é uma sequência do “Todo Poderoso” (2003), uma comédia estrelada inicialmente por Jim Carrey e posteriormente, por Steve Carell. Não é um filme religioso em seu sentido restrito e lato, mas há bons indícios de considerá-lo uma leitura bíblica de Gênesis 6.5-22 e também, uma teologia política . Mas, primeiro vamos saber um pouquinho da produção cinematográfica. O enredo gira em torno da figura de um âncora de jornal local que havia ganhado como de

O mal e o sofrimento nas Sagradas Escrituras: uma introdução

  Uma das tematizações mais buscadas pela humanidade é compreender a origem do mal e tentar compreender o seu desenvolvimento nas relações humanas, refletidas em sua experiência vivencial-comunitária e em sua realidade existencial. Na história da filosofia, o filósofo alemão Gottfried Leibnitz (1646-1716) conceitualiza a palavra “Teodiceia” (do grego théos , “Deus” e dike , “justiça”), a partir da sua leitura de Romanos 3.5 , em seu estudo conhecido como “Tratado sobre a Justificação ( Théodicée ) de Deus, a Bondade de Deus, a Liberdade da Pessoa e a Origem do Mal”, com o sentido de “justificar Deus, das acusações de que o mal existe no mundo ” . É claro que Leibnitz enfrentou duras críticas de Voltaire (a obra literária Cândido ou o Otimismo é uma crítica a sua filosofia, portanto, leia o texto já publicado: "Vamos cultivar nosso jardim": breves reflexões filosóficas sobre Cândido ou o Otimismo de Voltaire ), de David Hume e dentre outros filósofos, porque a sua defesa er

Por que Jesus Cristo é o caminho?

  Costumo dizer que sou cristã, desde do ventre de minha mãe; já que meus avôs maternos foram fundadores da Primeira Igreja Batista de minha cidade natal, os meus bisavôs da Igreja Metodista da mesma e alguns primos (2º e 3º graus...) são pastores de várias confessionalidades. Pois, bem. Dentro de uma Igreja, há irmãos e irmãs que caminham há anos com Cristo. Por vezes, se perdem e retornam ao Caminho. Por vezes, se perdem de vez no Caminho, mas continuam frequentando a instituição religiosa e seguindo apenas a confessionalidade doutrinária daquele lugar e não, a Cristo. Uma coisa, caro leitor e querida leitora, é caminhar inteiramente com Jesus Cristo e em Sua Pessoa (radicalmente, viu? Total dependência Dele, mesmo enfrentando os diversos êxodos no deserto e exílios humanos!) e outra, é seguir as normas institucionais (ideias abstratas ou estéticas, deslocadas dos desafios da vida!) que falam/discursam/aconselham/doutrinam sobre Jesus Cristo e que oferecem (digamos assim!) um pad